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A Real Diferença Competitiva Entre as Empresas

Por: Paulo Pereira   13/07/2011 - 09h32m


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As empresas, por meio de seus executivos, em especial aqueles com a responsabilidade estratégica sobre área de recursos humanos como um todo, nós consultores de RH, intelectuais variados, sociólogos, psicólogos, etc. temos, ao longo do tempo, procurado observar, discutir e descobrir quais são os fatores ou condições que, na essência, diferenciam uma empresa de outra, em termos de sua performance, tornando-a mais ou menos competitiva em relação a outras.
 
A questão que se põe, em uma primeira análise, parece óbvia. Mas na prática, no entanto, observa-se diferentes vertentes de crenças e valores, utilizadas com mais ou menos freqüência e entusiasmo, muitas vezes variando pontualmente conforme determinadas condições e cenários econômicos, na própria empresa, em seu mercado, em sua região, em seu País ou conforme práticas e tendências mundiais.
 
Para um grande número de pessoas esta resposta é simples, pois acreditam que a diferença essencial está na tecnologia que é empregada no processo produtivo da empresa. Tanto acreditam, que o assunto vira dogma na empresa. Todos respiram tecnologia. Participar de cursos, seminários, feiras e exposições de máquinas e equipamentos, em qualquer parte do mundo, é uma prática estimulada na empresa, com toda a ênfase, quase uma obrigação.
 
Os investimentos são canalizados para o fortalecimento deste fator, em detrimento de outros não menos importantes. Softwares e equipamentos de última geração são sempre perseguidos. O importante é automatizar o máximo do processo, mesmo e principalmente quando representa uma redução de número de pessoas, que assegure uma maior produtividade e ganhos em escala.
 
Já em outras empresas, a crença é que a diferença competitiva, em essência, está nas possibilidades e capacidades econômicas e financeiras de cada uma, o que se traduz em maior capacidade de investimentos, capital de giro, ganhos financeiros etc.
 
Neste grupo de empresas, o raciocínio é a força do dinheiro, que se traduz na capacidade para sufocar e aniquilar concorrentes, atingir grandes mercados, praticar preços desleais, utilizar práticas de cartel, influenciar governantes e políticos através de poderoso lobby para fazer prevalecer seus interesses comerciais.
 
A conjugação desses dois primeiros fatores parece a resposta mais adequada para um grande número de outras pessoas. Então perguntamos: duas empresas, de mesmo porte, mesmo número de trabalhadores, mesmo produto, utilizando a mesma tecnologia, tendo ou dispondo do mesmo volume de capital e atuando no mesmo mercado etc. teriam a mesma performance ou os mesmos resultados?
 
Imaginamos que a única resposta possível, mesmo que por abstração, seja não. Essas empresas seriam diferentes em seus resultados.
 
Ora, em países economicamente estáveis, com inflação em níveis decentes, o acesso ao capital para investimentos ou capital de giro não é algo proibitivo como é no Brasil.
 
Daí, não podermos eleger este fator como sendo o que faz a real diferença entre as empresas, já que todas teriam as mesmas possibilidades de obtê-lo, igualando-se neste aspecto.
 
Por outro lado, todos sabemos que a diferença tecnológica entre as empresas já não é um diferencial tão significativo como em tempos atrás. Os saltos tecnológicos já não são tão grandes como já foram antigamente. Os saltos são mais curtos, embora em maior velocidade. Não está aí a resposta, a nosso ver.
 
A resposta correta, em nossa avaliação, que daqui para frente parecerá óbvia, embora, na prática, não seja reconhecida e praticada pela maioria das empresas, está nas pessoas que trabalham nas organizações.
 
São elas, de fato, e em última análise, que diferenciam uma empresa de outras. Tanto nas empresas pequenas ou grandes, ricas ou pobres, sofisticadas ou atrasadas tecnologicamente.
 
Então, por que tratar "tão mal" os trabalhadores, se, de fato, eles é que fazem a diferença? As empresas precisam refletir sobre as atitudes e ações contrárias a esta constatação que elas vêm adotando ao longo do tempo, com seus programas de reengenharia, downsizing, terceirização e por aí adiante, passando a adotar novas posturas e atitudes, como por exemplo:
 
- Não ver o trabalhador como um adversário. Vê-lo como um parceiro;
 
- Acreditar que o trabalhador, em qualquer nível, é capaz de pensar e propor variadas soluções.
 
- Não valorizar demais os seus gerentes e diretores, em detrimento dos demais níveis;
 
- Ver o trabalhador como uma pessoa adulta e responsável. Não tratá-lo como um adolescente 
irresponsável;
 
- Não se orgulhar de lucro obtido através de péssimas condições de trabalho e de salários indignos;
 
- Ter relações sérias e transparentes com seus trabalhadores;
 
- Recolher todos os chicotes em mãos de diretores, gerentes, chefes e encarregados, estimulando-os a 
obter resultados através das pessoas, sem a imposição de medo ou outras chantagens emocionais;
 
As empresas devem ter em mente que são as pessoas, "no frigir dos ovos", que fazem a tão almejada qualidade, produtividade e modernidade. São elas que cumprem os prazos, minimizam custos, melhoram a produtividade etc., possibilitando a prática de qualidade e preços competitivos. São elas, em última análise, que fazem a real diferença competitiva.
 
É importante que a pessoa, em momentos de colocação e recolocação profissional, não ignore essa realidade. Não tenha uma atitude excessivamente passiva em relação à empresa que o está "escolhendo". Procure conhecer suas crenças e filosofias básicas, procurando também e igualmente fazer sua escolha e opção de tipo de empresa que gostaria de prestar seus serviços.
   
    Autor: 
 

Paulo Pereira, Diretor Presidente da Eventos RH
Autor do livro Profissionais & Empresas - Os Dois Lados de Uma Mesma Moeda no Mercado de Trabalho, Editora Nobel.


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