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Produtividade a Qualquer Custo?

Por: Paulo Pereira   13/07/2011 - 09h33m


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Não vamos aqui desenvolver uma profunda reflexão sobre questões políticas e ou ideológicas a respeito das alternativas de sistemas e modelos sócio econômicos possíveis de serem utilizados por para o bem de uma determinada sociedade ou um determinado país.Tanto faz o seu sentido: liberal ou comunista ou a junção destes e de outros modelos de sociedade.
 
O importante é que qualquer que seja o modelo escolhido, que de fato e na prática, dêem respostas positivas às variadas necessidades da esmagadora maioria das pessoas que fazem parte da sociedade onde ele é aplicado e ou desenvolvido, em todas as áreas: saúde, educação, alimentação, lazer e cultura, dentre tantas e variadas necessidades, individuais e coletivas, especialmente a realização profissional, que a mais forte e necessária das realizações de um individuo e que proporciona outras realizações, nos campos material e afetivo. E tudo sem distinção e preconceito de cor, raça, credo, idade, etc.
 
É muito razoável se pensar que independentemente do modelo escolhido, a busca pela produtividade máxima deveria ser sempre a atitude mais desejada e perseguida, para que, com o esforço de todos, se consiga gerar os recursos necessários para fazer frente aos interesses de determinada sociedade, individuais e coletivos. É, certamente, uma condição essencial, mas que não deve nunca desconsiderar a limitada e efetiva condição e natureza humanas. Entendo que as pessoas não devem servir e favorecer o sistema econômico, muito pelo contrário.
 
Não sendo assim, não nos parece sensato a comemoração de vitórias pelo alcance da produtividade máxima, tanto em nível de país como em nível de empresa, quando sabemos que o modelo produtivo estabelecido, institucionalizado e implantado, como este que vivenciamos, gera contradições, seqüelas e exclusões. Se não vejamos:
 
Os jovens, em suas fases iniciais de produção, formação, aprendizagem, desenvolvimento e amadurecimento, não têm reservados seu espaço apropriado. Eles têm que competir com pessoas preparadas e experimentadas e, pior ainda, sendo vistos e recebidos no mercado de trabalho mais como uma ameaça, tanto pelos que já estão na plena capacidade produtiva como pelos que já estão em ritmo decrescente, do que principiantes necessitando de um apoio fundamental e estruturado.
 
Os deficientes físicos em geral, que nasceram nesta condição, os que foram mutilados em acidentes de trabalho ou que desenvolveram doenças profissionais e os vítimas dos demais acidentes e doenças a que todos estamos sujeitos, são relegados à condição de mendigos da assistência social ou dependentes de ações filantrópicas voluntárias. Por conta da busca frenética da produtividade máxima, eles não têm as oportunidades próprias de suas condições e limitações, o que certamente pode (e deve) gerar sentimentos de frustração e inutilidade, se sentindo um fardo ou peso para a sociedade em que vivem durante toda ou parte de suas vidas.
 
No primeiro caso, dos jovens, o desconforto é relativamente passageiro e os traumas quase sempre são superados. No caso dos deficientes, as conseqüências nefastas são profundas e na maioria das vezes não superadas.
 
Existe uma situação que incomoda a todos, mais ainda. São as pessoas consideradas velhas. Estamos falando de milhões de pessoas, entre elas eu e você, agora ou no futuro. Homens e mulheres, executivos ou braçais, com exceção apenas dos políticos, esta sim parecendo uma profissão vitalícia e sem qualquer preconceito de idade. Jovens e anciões convivem em pé de igualdade.
 
Estou falando de pessoas que depois de anos dedicados ao sistema econômico, na busca da produtividade máxima, são repentinamente encostados e colocados à margem dos processos. Pessoas que, sistematicamente, se sentem ameaçadas ao se depararem com anúncios e editais de concorrência pública oferecendo oportunidades apenas para pessoas com menos idade do que eles.
 
Agora são considerados velhos, não importando mais a sua experiência e a sua dedicação nos anos anteriores. Muito menos importa se estão dispostos a parar neste momento e se, economicamente, podem parar, já que os valores de aposentadoria garantidos, quando existem, são mínimos. Para a busca da produtividade máxima eles já não correspondem mais, pelo fato que eles já não dispõem da mesma energia para fazer as mesmas coisas na performance exigida.
 
Sendo ou não uma disfunção, uma hipocrisia ou até mesmo uma insensatez do modelo produtivo escolhido, entendo que devemos dar uma parada no sentido da busca frenética da produtividade máxima pela simples produtividade máxima, e jogarmos os cadáveres embaixo do tapete.
 
O empenho deve ser no sentido de buscarmos a produtividade máxima sim, mas uma produtividade com qualidade e que promova o crescimento integrado da sociedade como um todo, de forma justa, respeitando a condição e limitação essencial das pessoas - sua condição humana. Não podemos desconsidera-la a despeito dos resultados de produtividade necessários.
 
Cada um de nós, empregados, empresários, governantes e políticos, tem um papel e uma condição própria ao nosso alcance para tentarmos mudar este estado de coisas. Façamos cada um a nossa parte.
   
    Autor: 
 

Paulo Pereira, Diretor Presidente da Eventos RH
Autor do livro Profissionais & Empresas - Os Dois Lados de Uma Mesma Moeda no Mercado de Trabalho, Editora Nobel.


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